Entrevista com o animador italiano Vincenzo Lodigiani

Semana passada publicamos a incrível vídeo “A ilusão da vida” de Vincenzo Lodigiani, um vídeo obrigatório a todos os amantes de animações.

A Ilusão da Vida (traduzido exclusivamente pela Cinematográfico), repercutiu no mundo inteiro, em blogs como Wired, The Verge, Motionographer e Fast Company. A charmosa animação ajuda-nos a entender os princípios clássicos da animação descritos em 1981 pelos mestres da Walt Disney, Frank Thomas e Ollie Johnston, no clássico livro “The Illusion of Life”.

Nesta versão animada, Lodigiani aplica esses princípios num objeto extremamente simples: um cubo. E mostra como essas ideias são capazes de dar vida e personalidade a qualquer objeto.

Assista o vídeo completo clicando na imagem.

Nós entrevistamos Vincenzo essa semana, direto de Nova York, e ele nos conta com mais detalhes sobre sua carreira, e de onde vem a inspiração para seus trabalhos.

Olá Vincenzo? Poderia começar nos falando qual o seu background?

Eu estudei Desenho Industrial na Universidade Politécnica de Milão (http://www.polimi.it/en/) . É uma universidade com muita tradição no design, inclusive a cidade é bastante famosa pelo seu Salão Internacional do Automóvel. Mas eu descobri que eu não era um bom desenhista industrial! Eu gostava bastante da parte estética do curso, mas não me dava bem com a parte física e mecânica das coisas. Até eu ter tido chance de assistir uma aula sobre Produção de Cinema. Foi então que acabei me interessando por cinema e animação e conhecendo pessoas que trabalhavam nessa área. Mas eu nunca estudei animação de modo formal. O que eu aprendi foi por conta própria, principalmente quando eu comecei a fazer um estágio.

Por que você se mudou para Nova York?

A Itália é realmente um lugar muito bom, muito bonito, mas não dá para comparar com o mercado de animação e motion design de Nova York. Aqui existem muitas oportunidades, além de ser um dos melhores lugares para se estar quando falamos de arte e design.

Quais são os seus trabalhos e projetos atuais?

Atualmente eu colaboro com diversos estúdios de animação em diferentes tipos de projetos, como clipes de música, comerciais, programas de TV e mesmo instalações de arte. Bastante coisa acontecendo ao mesmo tempo!

E como foi mudar da Itália para Nova York? Você já tinha experiência na área?

Eu já tinha alguns anos de experiência fazendo motion graphics em Milão (Itália), e fui visitar alguns amigos de Nova York durante minhas férias. Nessa hora, eu aproveitei para “espalhar” meu trabalho pela cidade, visitando alguns estúdios que eu admirava, mostrando que eu estava disposto a colaborar em projetos que eles tivessem. Um dia eu recebi uma oferta de trabalho, foi quando decidi me mudar pra cá.

Você então aproveitou do seu tempo livre para conhecer o mercado e os estúdios, certo?

Eu já tinha estado em Nova York antes, e imaginava que um dia eu voltaria para trabalhar. Mas não era nada certo, nunca fiz grandes planos. A oportunidade de vir para cá foi inesperada, meio que surgiu do nada.

A gente pergunta isso porque existem muitos brasileiros que trabalham na área, e buscam esse mesmo tipo de oportunidade, de se mudar para os EUA.  Pensando no que aconteceu com você, acha que essas oportunidades poderiam aparecer para outros animadores e designers?

Claro, isso é totalmente possível para qualquer um. Eu diria que o mais importante é o seu networking, as pessoas que você conhece. Eu particularmente não era uma dessas pessoas que queria se mudar, eu gostava bastante de trabalhar e da minha vida em Milão, e como eu comentei, a oportunidade de vir para cá surgiu do nada. Felizmente eu não tinha muitos motivos que me prendiam na Itália, foi então que aceitei a oferta de me mudar. Claro que dá um pouco de trabalho, afinal você está mudando de continente, mas vale a pena.

Sobre o seu trabalho. A gente conheceu você principalmente por causa da sua animação A Ilusão da Vida e quem não viu, aproveite e veja agora. Uma das características, não apenas desse, mas de seus outros projetos é o minimalismo. Quase sempre você usa apenas 2 ou 3 cores, formas geométricas e linhas simples. Qual é o motivo de usar este estilo?

Eu acho que o minimalismo veio como uma necessidade. Eu gostaria de ser capaz de desenhar melhor, com mais detalhes. Mas por algum motivo, acabava sempre simplificando, e voltando para o mais básico começo a ser uma coisa boa.  Eu não esperava que essa animação tivesse tanta repercussão, mas as pessoas gostaram de ver um simples cubo explicando os princípios da animação. Muitos comentaram que agora viam claramente os personagens da Disney usando essas técnicas.  E acho que esse minimalismo ajudou a explicar e deixou bem claro o que eu estava querendo dizer.

Acho que todos podemos concordar com isso, porque quando assistimos o vídeo, fica nítido como conseguiu extrair a parte essencial desses princípios. Alguma dica de como conseguiu ser tão didático e claro no vídeo?

Um dos meus objetivos era que você não precisasse conhecer nada de animação para entender os princípios. Acho que felizmente eu consegui isso! =)

Que ferramentas você usa normalmente no seu trabalho

Eu passo 90% do meu tempo no Adobe After FX, e quando eu tenho um pouco mais de tempo, uso o Cinema 4D, mas apenas os recursos básicos. Dependendo do trabalho, eu faço animações quadro a quadro, mas nessa hora também prefiro usar o After FX.

O que te inspira no seu trabalho?

Eu normalmente tenho uma grande vontade de estar sempre criando. As vezes quando eu paro por um tempo, eu acho até estranho. Nesse momento eu estou envolvido com animações, mas por um tempo estive envolvido em fazer música. Para mim é uma vontade natural de estar sempre criando algo com minha assinatura. A inspiração vem de várias fontes, muita coisa vem da onde você mora, acontece muita coisa estranha em Nova York (rsrsrs) mas também vem bastante da animação tradicional da Disney, do trabalho do animador Richard Williams, que inclusive é o autor de um dos melhores livros de animação, o The Animator’s Survival Kit. Esse livro mudou o jeito que eu fazia animação, e Saul Bass (http://en.wikipedia.org/wiki/Saul_Bass) , basicamente o cara que inventou o motion graphics.

E claro, a Internet é um constante fluxo de inspiração, todos os dias, várias coisas que eu nem imaginaria e que são muito interessantes.

Você estava comentando sobre as animações da Disney, que somos grandes fãs, principalmente das mais clássicas. Qual é a sua animação favorita?

Eu gosto de várias, mas se eu tivesse que escolher um, seria Mogli – O Menino Lobo. Esse é definitivamente uma obra de arte.

 

Mogli é um dos meus filmes favoritos também, não só pela história em si, mas a dublagem em português, as músicas, ficaram realmente excelentes, algo incomum quando um filme é dublado. E um filme que você recomendaria?

Eu tento ser bastante aberto a filmes, e como italiano, vou recomendar um filme de Paolo Sorrentino (http://www.imdb.com/name/nm0815204/?ref_=tt_ov_dr) , que inclusive ganhou Oscar esse ano de melhor filme estrangeiro, chamado A Grande Beleza (http://www.imdb.com/title/tt2358891/?ref_=nm_ov_bio_lk1) É um filme incrível, vocês tem que assistir!

Muito obrigado pelo seu tempo! Quer saber mais? Veja o site pessoal e o trabalho de Vincenzo Lodigiani no seu website.

 

 

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