3 técnicas básicas para iluminar superfícies

Quem já teve de iluminar um produto sem a mínima estrutura necessária sabe como este processo pode ser frustrante e desafiador para inexperientes. Por isso, o diretor de fotografia Matthew Rosen criou um tutorial explicando o básico sobre iluminação de três superfícies diferentes.

O primeiro passo é entender como as três superfícies reagem à luz, para isso é necessário saber quais os tipos de luz possíveis em uma tomada. Começando pela luz ambiente, a luz do espaço que incide de maneira direta sobre o objeto ou pessoa sendo gravada, ela pode ser medida por um fotômetro de luz incidente.

Há também a luz refletida pelo objeto e resto da cena, neste caso a leitura pode ser feita pelos medidores internos da própria câmera, por um outro tipo de fotômetro ou pela própria waveform gerada na câmera ou em um monitor.

Tipos de superfície

Há três tipos de superfície que podem estar no seu plano: refletiva, transparente e neutra ou opaca.

Superfícies refletivas

A iluminação direta não funciona bem neste tipo de superfície, pois a maior parte dos raios de luz vindo em sua direção acabam sendo refletidas devido às suas características. Além disso, uma luz direta pode gerar pontos muito fortes de concentração da luz que são chamadas “spots”, na maioria dos casos queremos nos livrar destes pontos.

Para isso, precisamos iluminar a superfície que está sendo refletida pelo objeto, o tutorial usa um exemplo fácil e rápido para achar essa localização, basta aplicar a luz direta no objeto e ver para onde os raios se dispersam, depois é só ajustar a luz para que incida nessa área.

Estamos trabalhando com o conceito de luz rebatida por uma superfície maior, portanto, no local onde há a reflexão será necessário colocar um isopor ou pano branco para iluminar o objeto, a luz macia do objeto refletido em conjunto com a área muito maior da superfície acabam por eliminar spots do objeto iluminado.

Superfícies transparentes

A maior parte das superfícies transparentes também acabam sendo um pouco reflexivas, no caso destes objetos é importante lembrar-se que o fundo é essencial para obter qualquer resultado necessário, pois ele sempre estará mesclado à cena.

Portanto, precisamos de uma luz de contra, mas como já vimos anteriormente, ela dificilmente será direta, pois é necessária uma boa área iluminada e a incidência da luz mais macia sendo refletida.

A técnica exibida no vídeo é muito comum para iluminar não apenas objetos transparente, mas também neutros e até pessoas. A luz rebatida no fundo ajuda na separação do primeiro e segundo planos e dá maior profundidade à cena que será fotografada ou gravada.

Superfícies neutras ou opacas

Superfícies neutras, em geral, recebem a iluminação de três pontos (com luz principal, preenchimento e contra) e a incidência delas pode ser direta na maioria dos casos, pois o nível de reflexão é muito menor.

No entanto, principalmente o rosto humano, pode acabar gerando ou trazer superfícies refletivas, seja por uma pele extremamente oleosa ou pelo fato da pessoa utilizar óculos na gravação.

No caso da pele uma maquiagem bem-feita e retoques resolvem a maior parte dos problemas, já com os óculos em geral é necessário o reposicionamento da iluminação, tirando a luz direta do raio de movimentação do rosto da pessoa.

Aprendendo diariamente

Todas as técnicas citadas são utilizadas diariamente em publicidades e conteúdo audiovisual exibidos na tv, internet ou cinema. Apesar do 3D ter tomado boa parte de pack shots (aquela fotografias e planos dos produtos bem dispostos em algum lugar), as técnicas para superfícies refletivas ainda são muito utilizadas nestes casos.

Quer praticar? Coloque qualquer produto em alguma superfície e fundo que queira e tente iluminá-lo. Caso queira um desafio mais complexo e tenha um carro na garagem, experimente tentar iluminá-lo como em uma publicidade, você verá todo o conceito citado neste texto na prática e ficará muito mais seguro quando precisar executar este tipo de plano.

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Graduado em Imagem e Som pela Universidade Federal de São Carlos, já passou por diversos ramos da comunicação e atuou no Brasil e Canadá. Atualmente trabalha em São Paulo onde executa as funções de filmmaker e editor.

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