Os Oitos Odiados – Dentro da sala de projeção

“Os Oito Odiados” teve um processo de produção e exibição bastante nostálgico, após sua finalização houve um “Roadshow” que percorreu os EUA exibindo o filme em 70mm. O objetivo era trazer de volta um pouco da atmosfera das décadas de 50 e 60, onde filmes faziam suas estreias e exibições em grandes eventos, que são estes “Roadshows”.

O projecionista Matt Dickey teve a chance de trabalhar na exibição do filme e gravou um vídeo de todo o processo (até pouco tempo corriqueiro) de preparar um filme e projetá-lo para a plateia, ao som de Ennio Morricone, que também assina a trilha sonora de “Os oito odiados”, o vídeo é um convite à nostalgia.

Roadshow

Os “Roadshows” eram eventos em teatros com assentos limitados, onde convidados não apenas assistiam ao filme, mas participavam de um evento com programação, pausas e recepção. Vários clássicos foram lançados dessa forma, como “E o vento levou” e “Ben-Hur”, o filme de Tarantino seguiu todo este protocolo e foi lançando no Natal de 2015 simultaneamente nos EUA e Canada para exibição em 70mm.

A atenção a detalhes da produção foi enorme, como a metragem diferente entre a versão (única) exibida durante a “Roadshow” e que possuía 187 minutos e a versão “geral”, lançada com 20 minutos a menos. O filme foi gravado em 65mm (Kodak Vision3 50D 5203, Vision3 250D 5207, Vision3 200T 5213, Vision3 500T 5219) e projetado em 70mm¹.

Mudança no Consumo

A aceleração da vida na era da informação também atingiu o cinema, apesar do processo de produção de um filme ainda tomar meses e algumas vezes até mesmo anos, sua exibição em si vem acelerando cada vez mais e perdendo um pouco do peso de “evento” que possuía anteriormente.

Sem nos prendermos ao saudosismo, é preciso admitir que a era digital trouxe inclusão ao cinema, antes apenas o blockbuster americano produzia milhares de cópias em película e podia ter sua estreia mundial, mesmo assim as pequenas cidades acabavam recebendo filmes até mesmo meses depois do lançamento, exatamente pela necessidade da cópia física.

Mas é impossível dissociar a ida ao cinema da imersão que ela sempre gerou, aquela sala com som, temperatura e tela projetadas exclusivamente para que você sente-se e assista a uma obra que levou meses para ficar pronta, no entanto, a aceleração da era da informação também afetou diretamente a maneira como nos relacionamos com filmes.

É natural que os processos evoluam, mas há a perda de “respiro” no cinema que acaba por diminuir sua força junto ao espectador, por exemplo, há a perda dos pequenos momentos de escuridão e variação de luz na projeção em película para a luz constante em nossos olhos na era digital.

Os esforços de Tarantino acabam sendo válidos para tentar trazer de volta a opção por assistir a um filme em um ambiente de qualidade, sem que seja apenas um momento em um passeio ou um encontro, assistir ao filme passa a ser o evento de uma noite toda, com certeza isto soa muito bom para os ouvidos de cinéfilos por aí.

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Graduado em Imagem e Som pela Universidade Federal de São Carlos, já passou por diversos ramos da comunicação e atuou no Brasil e Canadá. Atualmente trabalha em São Paulo onde executa as funções de filmmaker e editor.

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