Tarkovsky e Kubrick

Stanley Kubrick e Andrei Tarkovsky sempre estarão nas listas do maiores cineastas da história. Eles podem até personificar um pouco a dualidade EUA x URSS durante a Guerra Fria, embora Tarkovsky tivesse uma relação complicada com seu país de origem, com cada potência possuindo seu próprio gênio no cinema.

No vídeo a seguir Vugar Efendi fez um paralelo entre o estilo de ambos. Para Vugar “Essa breve comparação mostra seus estilos cinematográficos únicos, em que, em certa medida, eles compartilham as mesmas conotações filosóficas e temáticas em sua filmografia”. E você, já parou para conhecer as obras destes mestres da sétima arte?

Andrei Tarkovsky

Andrei Tarkovsky é um dos maiores expoentes do cinema soviético. Além dos sete longas-metragens produzidos em vida, ele também é autor do livro “Esculpir o tempo“, uma obra essencial para quem gosta e estuda cinema. Sua produção carrega muita profundidade com certa poesia, não são filmes tão fáceis de digerir, mas são obras presentes em qualquer estudo mais aprofundado da história da sétima arte.

Lewis Bond fez um ótimo trabalho de pesquisa e edição sobre a produção de Tarkovsky, isso tudo deu origem ao filme “Andrei Tarkovsky – Poetic Harmony” (Andrei Tarkovsky – Harmonia Poética). A ideia inicial neste artigo era falar de cada filme de Tarkovsky individualmente, mas é extremamente difícil (quase impossível) definir seus filmes em sinopses curtas e trechos de cenas. Por isso o trabalho de Lewis ajuda a explorar um pouco o universo do cineasta russo.

Um exemplo do respeito da crítica ao diretor ainda em vida são os prêmios que ele acumulou ao longo dos anos, no Festival de Cannes ele levou o Prêmio FIPRESCI quatro vezes, o prêmio do Júri Ecumênico três vezes e o “Grand Prix Spécial du Jury” mais duas vezes. Além disso, ele foi nomeado à Palma de Ouro duas vezes e também ganhou prêmios no BAFTA e Festival de Veneza.

Seus filmes trazem várias reflexões e inspirações tanto narrativas quanto relativas à composição e edição, vale a pena conferir seus longas: A infância de Ivan, Andrei Rublev, Solaris, O Espelho, Stalker, Nostalgia e O Sacrifício.

Stanley Kubrick

Stanley Kubrick, por sua vez, já é um nome muito mais conhecido por cinéfilos ao redor do mundo. O diretor americano carregava consigo além do grande talento em roteiro e direção, um conhecimento profundo sobre música clássica e fotografia. E Lewis Bond também fez um vídeo fantástico falando um pouco sobre quem é Stanley Kubrick.

O diretor, conhecido pelo seu perfeccionismo exacerbado, tornou-se referência em muitas cenas que entraram para a história do cinema exatamente por sua execução. Entre elas podemos colocar a inserção de uma recém-criada tecnologia à época, o Steadicam. Neste caso Kubrick inseriu o novo “brinquedo” para reforçar ainda mais a narrativa, dando vida a algumas das cenas mais conhecidas da história do cinema.

Já em Barry Lyndon o diretor foi atrás de câmeras Mitchell BNC e utilizou uma lente produzida pela Zeiss inicialmente para a NASA e com uma abertura f/0.7, a ideia era de uma lente muito rápida para fotos em satélites, já Kubrick precisava da lente para gravar as cenas iluminadas à luz natural e de velas no filme.

E ele obteve sucesso na sua busca técnica incessante por equipamentos que traduzissem o visual que esperava para o filme, Barry Lyndon possui muitas cenas que traduzem de maneira única o visual da época e várias outras que podem facilmente passar por pinturas, um trabalho visualmente impecável. Não por acasa o filme levou o Oscar de melhor direção de fotografia.

O canal pipocando fez um especial sobre o diretor, apesar da visão mais voltada ao entretenimento e menos para a técnica de Kubrick, o resultado ficou muito legal e vale a pena assistir para conhecer um pouco mais sobre ele.

Entre os maiores 

Estes dois gênios do cinema renderiam várias análises e desconstruções de seus filmes, na verdade, cada filme pode render muitas análises individualizadas, pois carregam várias camadas de percepção, introspecção e, em alguns casos, uma abertura essencial à interpretação do espectador.

Figuras obrigatórias na lista de maiores de todos os tempos, conhecer estes autores acaba sendo um passo essencial para quem gostaria de se aprofundar um pouco mais na teoria cinematográfica. É impossível definir algum como pior ou melhor, nos cabe, então, apenas nos inspirarmos com a grande produção de ambos.

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Graduado em Imagem e Som pela Universidade Federal de São Carlos, já passou por diversos ramos da comunicação e atuou no Brasil e Canadá. Atualmente trabalha em São Paulo onde executa as funções de filmmaker e editor.

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