Lentes Anamórficas

Elas afetam diretamente como as cenas são projetadas no sensor da câmera e foram inicialmente criadas para que uma imagem mais larga pudesse se encaixar dentro dos limites físicos da película, mas, desde então, diretores de fotografia se acostumaram ao seu visual único.

Lentes Esféricas e Anamórficas

Na produções geralmente são utilizados dois tipos de lentes: esféricas e anamórficas. Esféricas são as mais comuns e o formato de lente assumido como padrão, elas projetam a imagem no sensor sem afetar sua proporção na tela. Por outro lado, as lentes anamórficas projetam uma versão da imagem que é comprimida a partir de uma base mais longa, geralmente seguindo um fator de dois. Portanto, lentes anamórficas precisam passar por uma “descompressão”, seja na pós-produção ou no projetor de exibição para que possam ser exibidas da maneira correta.

By Wapcaplet, uploaded by Andreas -horn- Hornig - Photo by Wapcaplet, effects in the en:GIMP., CC BY-SA 3.0, https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=246341

Plano sem lente anamórfica com uma imagem widescreen em película com 4 perfurações, parte dela é perdida no topo e base. – By Wapcaplet, uploaded by Andreas -horn- Hornig – Photo by Wapcaplet, effects in the en:GIMP., CC BY-SA 3.0, https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=246341

As lentes anamórficas foram inicialmente criadas para que uma imagem mais larga conseguisse ser inserida em toda a área da película 35mm. Caso contrário ela teria sempre sua base e topo cortados do quadro e seria necessário eliminar isso utilizando máscaras no projetor.

Lentes anamórficas, portanto, melhoraram de certa forma a qualidade da imagem, tanto por aumentar a resolução vertical quanto pela redução de grãos. Com a invenção do formato “Super 35” houve uma diminuição na diferença entre lentes esféricas e anamórficas, pois este formato entrega uma área horizontal maior por não conter a faixa de áudio.

Plano com a utilização de lente anamórfica para compressão da imagem e melhor utilização da película. - By Wapcaplet, uploaded by Andreas -horn- Hornig - Photo by Wapcaplet, effects in the en:GIMP., CC BY-SA 3.0, https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=246356

Plano com a utilização de lente anamórfica para compressão da imagem e melhor utilização da película. – By Wapcaplet, uploaded by Andreas -horn- Hornig – Photo by Wapcaplet, effects in the en:GIMP., CC BY-SA 3.0, https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=246356

As anamórficas no digital

De maneira geral as lentes anamórficas acabam servindo a outros propósitos com o digital, a principal razão para seu uso é o visual. Alguns efeitos como flare e mesmo o fundo desfocado (bokeh) das imagens aparecerão mais alongados ao invés de circulares (a menos que a lente tenha uma íris diferente).

Os flares também costumam aparecer de forma horizontal em todo o quadro, assim como vinhetas podem ser ovaladas. Apesar da possibilidade de emulação de alguns desses efeitos no processo de pós-produção, sempre há a diferença da composição óptica para a digital.

Como já foi dito, a profundidade de campo também é afetada. Apesar de lentes esféricas e anamórficas terem a mesma profundidade de campo na teoria, na prática é preciso usar uma distância focal maior com anamórficas para atingir o mesmo ângulo de visão.

No entanto, com os mesmos parâmetros, lentes anamórficas produzem uma profundidade menor e mais cinematográfica. Como o representante da SLR Magic diz no vídeo a seguir, um dos principais motivos para as anamórficas no digital são suas “imperfeições” visuais.

A Composição das Anamórficas

Muitas lentes anamórficas são, na verdade, apenas lentes esféricas com alguma peça de vidro que faça a compressão da saída. Isso torna as lentes maiores, reduz a transmissão de luz e pode inserir um pouco mais de distorção.

A maior complexidade e mais elementos de vidro geralmente fazem uma lente anamórfica ser mais cara e pesada que uma padrão esférica. Como lentes esféricas são mais comuns há também uma maior variação de distâncias focais, aberturas e qualidade de produção entre elas.

O tipo de lente anamórfica também é um importante fator. O visual característico das anamórficas geralmente é associado ao tipo de lente que possui a compressão sendo feita por elementos à frente dela.

Anamórficas com a compressão na parte de trás geralmente são bem mais difíceis de serem identificadas e acabam sendo utilizadas em películas quando há a necessidade de utilizar uma área maior dela.

O bokeh, flare e vinheta serão similares aos de uma lente esférica, mas a profundidade de campo continuará sendo menor. Esse tipo de lente geralmente reduz a abertura máxima possível e são bem pouco comuns em lentes grandes angulares, pois elas acabam aumentando a distância focal.

Em geral as lentes anamórficas não são tão definidas quanto as equivalentes esféricas, em parte pois elas tem elementos adicionais no caminho óptico, mas também por que as imagens são produzidas utilizando um ângulo de visão ultra-wide.

Com filme, no entanto, o resultado final tinha mais nitidez, principalmente pelo fato dessas imagens passarem por uma amplificação menor durante a projeção.

A Escolha por Anamórficas

Claro que cada diretor de fotografia possui suas pequenas peculiaridades que influenciam na escolha de uma lente anamórfica, mas a captação em digital através de lentes esféricas acaba criando uma imagem muito definida, que pode dar uma sensação de dureza em alguns casos.

Em geral a busca por anamórficas traz a tentativa de deixar o visual mais orgânico e etéreo, dessa forma reduzindo um pouco a extrema definição da imagem quando isso não é interessante para a narrativa. Embora os motivos sejam os mais variados entre os diretores.

A seguir alguns dos fabricantes de lentes e adaptadores anamórficos em preços mais acessíveis (mas que não são baixos):

  • http://www.vid-atlantic.com/anamorphic/
  • http://www.slrmagic.co.uk/slr-magic-anamorphot.html
  • http://www.richardgaleoptics.uk/

Partes deste artigo são traduções da publicação no site da RED sobre lentes anamórficas, que você pode conferir na íntegra (em inglês) clicando aqui.

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Graduado em Imagem e Som pela Universidade Federal de São Carlos, já passou por diversos ramos da comunicação e atuou no Brasil e Canadá. Atualmente trabalha em São Paulo onde executa as funções de filmmaker e editor.

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